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UH nº 002/26 – Dia Internacional das Aduanas 2026: vigilância e compromisso são os temas da agenda que atravessará o ano

São Paulo,  07 de janeiro de 2026

Dia Internacional das Aduanas 2026: vigilância e compromisso são os temas da agenda que atravessará o ano

A Organização Mundial das Aduanas divulgou preliminarmente em seu site o tema do Dia Internacional das Aduanas 2026, “Aduanas protegendo a sociedade por meio da vigilância e do compromisso”. A comunicação institucional oficial costuma ser publicada em 26 de janeiro, quando o mundo celebra o Dia Internacional das Aduanas. Até lá, o enunciado já cumpre sua função mais poderosa: a pauta dessa mensagem. Essa frente pauta o discurso, pauta as prioridades, pauta as decisões, pauta o que será cobrado de cada elo do comércio exterior ao longo do ano, inclusive nos comitês de facilitação, onde se decide, com menos holofote e mais técnica, o que destrava e o que emperra.

Vigilância, aqui, não é bravata nem espetáculo. É método, é dado de qualidade, é seleção inteligente, é risco bem calibrado, é capacidade de enxergar o que não grita, a fraude silenciosa, o documento que não fecha, o valor que não se sustenta, a origem que não se prova, o resíduo disfarçado, o produto falsificado que ameaça a saúde, a carga que alimenta o crime e cobra preço na vida comum. Compromisso é o contrapeso que dá legitimidade, compromisso com a legalidade, com a ética, com a imparcialidade, com a confiança pública e com o comércio legítimo, que precisa de segurança para existir e de previsibilidade para crescer.

Setor Privado – Esse tema também recoloca o setor privado no centro da responsabilidade. Porque a proteção real começa antes do canal, antes do desembaraço, antes do scanner. Começa na coerência do processo, na consistência do dossiê, na rastreabilidade do produto, na transparência das informações, na disciplina do compliance que não se faz no improviso. É nesse ponto que o despachante aduaneiro aparece como figura estrutural, não como coadjuvante, mas como profissional que transforma norma em prática, qualifica o dado, reduz assimetrias, evita erros que viram passivo, e bloqueia fraudes que viram risco sanitário, ambiental, fiscal e de segurança.

Há um exemplo que fala por si, o C TPAT, nos Estados Unidos, concebido como parceria público-privada para fortalecer a segurança da cadeia logística. Neste ambiente, o despachante aduaneiro não é tratado apenas como alguém que “cumpre regra”, ele é reconhecido como elo vital para a segurança nacional, pela responsabilidade sobre a tempestividade e a consistência das informações, pela conexão entre operadores e autoridade aduaneira, e pela capacidade de induzir padrões de segurança em toda a cadeia. Segurança não nasce no último metro da fronteira, ela é construída na cadeia inteira, com profissionalismo.

E não há vigilância moderna sem atualização tecnológica. O ano de 2026 cobra interoperabilidade, integração de sistemas, automação responsável, trilhas de auditoria, análise e segmentação de risco com inteligência, uso estratégico de dados, janelas únicas, processos digitais que aumentem capacidade de controle com eficiência e transparência. Tecnologia, aqui, não é moda, é instrumento, e instrumento sem gente preparada vira promessa vazia.

É por isso que o SINDASP sustenta a qualificação contínua de seus associados e da categoria profissional. E faz isso com prática, estimulando capacitação por meio do Educomex, ampliando acesso aos conteúdos de atualização e formação aplicada, para que o despachante acompanhe a evolução normativa, tecnológica e operacional do comércio exterior. Em paralelo, o SINDASP mantém diálogo com a Receita Federal para o aperfeiçoamento do rol profissional e das condições de exercício do despachante aduaneiro, na esfera técnica e na esfera legal, porque uma governança aduaneira séria exige clareza de responsabilidades, padrões elevados de atuação e reconhecimento do profissional habilitado como parte do sistema de conformidade e segurança.