São Paulo,6 de março de 2026

Área do associado

UH nº 264/25 – O espaço das mulheres na Aduana

Corrida para profissão de Despachante Aduaneiro tem 37% de mulheres. MTE anuncia forte diferença salarial entre os gêneros no Brasil.

Entramos em novembro, mês que tradicionalmente remete aos cuidados da saúde masculina, na campanha “azul’, para divulgar o combate ao câncer de próstata entre os homens. Todavia, o mês de novembro para o SINDASP – Entidade que representa os Despachantes Aduaneiros em São Paulo – é de extrema importância para a categoria, mas com um olhar especial para as mulheres.

Sempre importante lembrar que o Despachante Aduaneiro é um profissional privado, que atua muito próximo do poder público e, na prática, presta um serviço de interesse público ao assegurar conformidade, segurança e fluidez no comércio exterior brasileiro, com atuação direta na Aduana. Por isso mesmo, após quase 3 anos, a Receita Federal traz um “Exame de Qualificação”, em 16 de novembro, para que Ajudantes alcancem o acesso à profissão de Despachante Aduaneiro.

Mulheres – Em um recorte sobre esse significativo momento, o destaque é a presença feminina nas inscrições para esta prova: na homologação preliminar, são 946 inscrições e, por inferência de primeiro nome com redistribuição proporcional dos indeterminados, o SINDASP estima que cerca de 37,1% são mulheres.

Este número está aquém da presença feminina na sociedade, mas chama a atenção, em função de que as profissionais mulheres Despachantes Aduaneiras atingem 24% da média nacional. Esses 24% caem ainda mais, quando extraído o número de associadas ao SINDASP que é de 18%, em um último estudo de 2024.

A atual diretoria do SINDASP busca contribuir para o crescimento desses números. Um exemplo é que a Entidade conta hoje, de forma inédita historicamente, com 3 mulheres em seu corpo diretivo. A nova composição manterá esse número para a “Gestão 2026 a 2029”. Para uma dessas atuais diretoras, Dina Santos, a presença feminina no campo de despachante aduaneiro ainda é minoritária. “Estamos plenamente conscientes do potencial que cada uma de nós possui e do impacto significativo que geramos no comércio exterior”, avalia Dina.

Ela aproveita ainda para saudar as mulheres inscritas e desejar boa sorte. “Contem conosco nesta nova jornada, pois a sua força é uma adição valiosa ao trabalho já realizado pelas diretoras do SINDASP. Juntas, podemos fortalecer nossa posição e transformar o cenário do comércio internacional”, finaliza Dina.

Salário das mulheres no setor privado – Com um holofote voltado setor privado, o Governo Federal traz números atualizadíssimos ao mercado: as mulheres recebem 21% menos que homens no Brasil. O anúncio foi feito exatamente nesta semana, dia 03/11, pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), em dados do 4º Relatório de Transparência Salarial e Critérios Remuneratórios. O Estudo analisou 19,4 milhões de vínculos trabalhistas em empresas com 100 ou mais funcionários.

Aduana – Ao entrarmos na esfera da Aduana, encontramos dados da WCO Survey 2024, nas 186 administrações-membro da OMA, onde as mulheres representam em média 36% do total de funcionários das aduanas. “Entretanto, quando observamos os cargos de gestão intermediária ou sênior, esse percentual cai para 23,7%, e se reduz ainda mais na alta gestão, alcançando apenas 20%”, destacou em um Artigo para a Revista Desembaraça SP, do SINDASP, Amanda M. V. Scarlatelli Lima Dutra, Coordenadora de Controle de Intervenientes no Comércio Exterior – COINT da Receita Federal do Brasil.
“Esses dados expõem um fenômeno comum a diferentes regiões do mundo: as mulheres conseguem ingressar nas administrações, mas encontram obstáculos significativos para ascender aos postos de maior poder decisório”, concluiu no mesmo conteúdo, Amanda Lima Dutra.  

Já o Secretário-Geral da OMA (Organização Mundial de Aduanas), Ian Saunders, defende que, embora o interesse e o engajamento na Igualdade de Gênero e Diversidade (IGD) estejam crescendo, o setor Aduaneiro permanece um setor dominado por homens e que há “muito trabalho a ser feito para alcançar o equilíbrio de gênero nos ambientes de trabalho aduaneiro”.

A Declaração do Conselho de Cooperação Aduaneira sobre Igualdade de Gênero e Diversidade nas Alfândegas, adotada pela Organização Mundial das Alfândegas (OMA) em dezembro de 2020, é um documento de compromisso político e orientação estratégica.

Em resumo, a Declaração de 2020 é o mandato para a mudança, que exige a coleta de dados desagregados e a implementação de políticas que beneficiem a participação e o avanço das mulheres no setor.

Este é um desejo do SINDASP, que aproveita a oportunidade para saudar aquelas que alcançarem êxito no certame, bem como, igualmente, se mostra à disposição para as demais, a fim de que possam se preparar ao longo do próximo período, visando sucesso em uma prova futura.

“Essa profissão que representa os importadores e exportadores, exige conhecimento e grande responsabilidade na elaboração e execução das etapas exigidas na liberação das mercadorias. Desejamos boa sorte a todas e aguardaremos as novas despachantes aduaneiras, auxiliando sempre no que for necessário”, observou Claudia Yumi, diretora do SINDASP.

*NOTA DA REDAÇÃO: Os números percentuais de participações por gênero citados na matéria (*37,1% mulheres e 62,9% homens) são estimativas baseadas em inferência do primeiro nome e redistribuição proporcional dos indeterminados; margem de ±3–5 p.p.; e base na homologação preliminar das inscrições.