São Paulo, 22 de junho de 2026
Ecossistema aduaneiro nacional e paulista sai fortalecido em seminário sobre o Acordo Mercosul-União Europeia
FecomercioSP, Sebrae-SP e SINDASP reuniram setor público, entidades empresariais, especialistas e profissionais do comércio exterior em agenda sobre conformidade, origem preferencial e competitividade internacional
A cidade de São Paulo recebeu, no último 18/06, o seminário “Mercosul-União Europeia: Caminhos Práticos para a Competitividade Internacional”, realizado pela FecomercioSP, pelo Sebrae-SP e pelo SINDASP, com a participação da Receita Federal do Brasil (RFB), do MDIC – Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, da InvestSP, da SP Negócios, de lideranças empresariais, especialistas em comércio exterior, operadores econômicos e despachantes aduaneiros.
O encontro tratou dos impactos práticos do Acordo Mercosul-União Europeia e destacou que a efetiva utilização de seus benefícios dependerá de uma agenda de conformidade, origem preferencial, certificação, rastreabilidade, segurança das operações e capacidade de execução pelas empresas.
O evento também marcou publicamente uma virada de chave na parceria entre SINDASP e FecomercioSP. As boas-vindas da FecomercioSP ao SINDASP sinalizaram a inserção da entidade em uma estrutura empresarial mais ampla, como aliada aduaneira de uma agenda paulista voltada ao comércio, aos serviços, ao turismo, à internacionalização e à competitividade.
A abertura institucional contou com Rubens Medrano, presidente do Conselho de Relações Internacionais e vice-presidente da FecomercioSP; Elson Isayama, presidente do SINDASP; e Reinaldo Pedro Correa, diretor do Sebrae-SP. A mediação foi conduzida por Camila Silveira, jornalista e assessora de comunicação da FecomercioSP.
Durante a abertura, Elson Isayama destacou a importância de reunir profissionais e especialistas capazes de contribuir, na prática, para o desenvolvimento do comércio bilateral entre Mercosul e União Europeia.
“Nosso objetivo foi o de reunir pessoas que possam contribuir de fato para o nosso dia a dia e para os nossos negócios. O conhecimento compartilhado neste encontro tem potencial para gerar impactos positivos não apenas para o comércio exterior, mas também para a economia e para o desenvolvimento do Brasil”, afirmou.
Rubens Medrano reforçou o caráter coletivo da iniciativa e a necessidade de integração entre os diferentes atores da cadeia internacional de negócios.
“Esta ação está sob o guarda-chuva do apoio de todos. Este projeto não é da FecomercioSP, não é de uma única entidade; é de todos aqueles que acreditam na construção de um ambiente mais competitivo, moderno e preparado para os desafios internacionais”, destacou.
A programação reuniu diferentes dimensões da agenda internacional. André Sacconato, assessor econômico da FecomercioSP, abordou a nova ordem mundial, a abertura comercial e o papel das entidades empresariais na inserção internacional. Marcio Guerra, gestor estadual de missões internacionais do Sebrae-SP, tratou da presença das pequenas e médias empresas na agenda internacional.
As interações com o público deram ao encontro o caráter de um verdadeiro fórum de debate, especialmente no tema das pequenas e médias empresas. A discussão deixou claro que o acordo não pode permanecer apenas como linguagem diplomática ou promessa comercial. Para chegar à empresa, precisa ser traduzido em orientação prática, enquadramento possível, documento correto, prova de origem defensável e operação viável.
O eixo técnico sobre origem preferencial foi conduzido por Carlos Alberto Araújo de Almeida, da Secretaria de Comércio Exterior do MDIC, que apresentou o regime de origem do Acordo Mercosul-União Europeia, com foco em requisitos específicos de origem, certificação, autodeclaração, Anexo 3-C, REX, acumulação e procedimentos aplicáveis.
A agenda incorporou também a dimensão estadual e municipal da internacionalização econômica. Júlia Saluh, diretora da Área Internacional e Comércio Exterior da InvestSP, abordou cultura exportadora, crédito à exportação e atração de investimentos, sob a perspectiva do Governo do Estado de São Paulo. André Aleotti, gerente de Negócios Internacionais e Desestatização da SP Negócios, tratou de promoção internacional, negócios e posicionamento da cidade de São Paulo como plataforma de conexão com mercados externos.
A Receita Federal do Brasil aprofundou os temas de conformidade aduaneira e verificação de origem, em apresentação identificada institucionalmente por Receita Federal | Coana | Coint — Ministério da Fazenda. Participaram Amanda Scarlatelli Lima Dutra, Auditora-Fiscal da Receita Federal do Brasil e Coordenadora de Controle de Intervenientes no Comércio Exterior — Coint, e Natasha Barzotto H. Flessak, Auditora-Fiscal da Receita Federal do Brasil, da Divisão de Valoração e Origem — Divom.
A contribuição da Receita Federal reforçou uma dimensão essencial da Aduana contemporânea. O controle aduaneiro moderno depende cada vez mais de dados, rastreabilidade, histórico, gestão de risco, verificação posterior e qualidade da informação apresentada pelos operadores privados. Nesse modelo, conformidade não é conceito abstrato. É um método de gestão.
Participação do SINDASP – Pelo SINDASP, a organização do evento contou com a atuação direta de Marcelo de Castro Ferreira, diretor secretário adjunto da entidade, e de Angélica Marques, em articulação com a FecomercioSP e o Sebrae-SP. Elson Isayama, presidente do SINDASP, participou da abertura institucional, representando a entidade nessa nova etapa de integração.
A leitura técnica e operacional sobre o papel do despachante aduaneiro na implementação prática do acordo foi apresentada por Marcelo de Castro Ferreira. Na sua intervenção, o diretor do SINDASP destacou dois pontos centrais para o uso seguro do Acordo Mercosul-União Europeia: conformidade com evidência no uso da DUIMP e cautelas na utilização da autodeclaração de origem.
O benefício tarifário não se sustenta apenas pela existência do acordo nem pela simples declaração do exportador. A operação precisa formar lastro documental, memória técnica e coerência entre classificação, origem, documento comercial, prova de origem, registro aduaneiro e dossiê vinculado à DUIMP.
A autodeclaração facilita o procedimento, mas não elimina a responsabilidade pela prova. Desloca o foco para a retaguarda documental da empresa e exige cautela técnica antes, durante e depois do registro.
Nesse ambiente, o despachante aduaneiro ficou evidenciado como profissional de interface: entre empresa e Aduana; norma e sistema; documento e dado; oportunidade comercial e conformidade operacional.
O encerramento coube a Marcos Troyjo, economista, cientista político, diplomata brasileiro e ex-presidente do Novo Banco de Desenvolvimento, o Banco dos BRICS. Sua exposição ampliou o debate para o plano da transformação global, da competitividade, da integração internacional e da capacidade brasileira de ocupar espaço em cadeias econômicas mais exigentes.
Ecossistema – A leitura final do encontro apontou para uma agenda de ecossistema. O Acordo Mercosul-União Europeia não é apenas uma peça diplomática ou uma tabela de redução tarifária. Ele conecta empresas, Aduana, governo federal, governo estadual, município, entidades empresariais, Sebrae, agências de promoção, sistemas, documentos, logística, origem, conformidade e profissionais especializados.
Sem essa articulação, o acordo permanece promessa. Com ela, começa a virar operação.
O ecossistema aduaneiro nacional e paulista saiu fortalecido porque o evento entrou no ponto em que a integração internacional deixa de ser expectativa e passa a depender de execução.
O SINDASP enalteceu a parceria de êxito com os entes FecomercioSP, Sebrae-SP, Receita Federal do Brasil, ao MDIC, InvestSP, SP Negócios, aos palestrantes, mediadores, participantes e a toda equipe envolvida na realização do encontro.
As apresentações do evento estão disponíveis para consulta no link:
https://drive.google.com/drive/folders/1clujBx5lLUxNa14X6B4iP3M5xcQ5jKe-?usp=drive_link
